04/09/2010
O vira latas, o poste e a lua de melConversávamos, dias atrás, com um amigo de longas datas, desses longevos e sinceros – coisa pouco em voga na atualidade – a respeito dessa unilateralidade política do país e da risível e ridícula propaganda dos candidatos, com seu “um prá mim; mais um prá tú, outro prá mim, um prá tú, outro prá mim; mais um prá tú, outro prá tú, outro prá mim”, da composição do imortal Luis Gonzaga, além do grotesco de certas figuras (das mentiras, nem se fala!) quando tivemos a atenção despertada para um cachorro magro, sujo e pirento, perseguido por um desses cães enormes e ferozes, que o atacava sem dó e sem piedade.
E, azar do perseguido, todos os outros cachorros que saiam à rua, engrossavam o time dos perseguidores, enquanto aquele gania desesperadamente. Assim prosseguiu a perseguição, até dobrar a esquina.
Talvez alí, na cena, a longevidade dos mesmos, dos de sempre, que prometem, a cada eleição “mudar o país”, como se não fossem elas que o governassem, através de décadas, e pelo analfabetismo literal do povo.
Talvez, através dos séculos provindouros, até a piedade ou justiça divina determinarem o contrário. Talvez alí, repetimos, estivesse explicada a situação: basta verificar que quem está no poder, tem, como coligados, quase todos os outros partidos políticos, para garantia de vitória do maior, o enorme e o feroz, contra o magro e o desnutrido, alegorizando-se o poder e o povo, este sem nenhum paladino, e entregue à sua própria sorte.
Na Normandia, nos idos do século II, o senhor feudal apossava-se das terras dos aldeões, e lhes permitia, “generosamente”, cultivá-las, desde que o produto do cultivo fosse dividido com ele. E, como prova maior de submissão ao chefe, todas as vezes em que algum morador da aldeia pretendia casar-se, a noiva teria que ser entregue aos prazeres do monarca, na noite de nupcias, para o desvirginamento.
Ou seja, depois de passar a noite com a lua e deliciar-se com o mel, o soberano devolvia a noiva para o marido, que teria de contentar-se com as migalhas do banquete, agradecer ao protetor e continuar trabalhando para mante-lo no poder até quando Deus desse bom tempo. Coisas da Idade Média! Claro que isso já se deu há muito tempo, na época do absolutismo escravagista.
E, se alguém achar alguma semelhança entre o relatado e alguns progamas sociais, igualmente desvirginadores e escravizantes, credite o fato à imaginação quixotesca de algum sonhador. Além de sonhadora e quixotesca, inócua, porque vai de encontro ao conformismo de milhões de sanchos pança. Coisas do tipo “ruim com ele, pior sem ele”, num eloquente atestado de escravidão acomodada. Será que existe algum país no mundo onde as pessoas sejam assim?...
Mas, voltando à cachorrada, preferimos ser vira latas: é que, quando nos permitem, latimos a vontade, e podemos escolher o poste onde queremos fazer xixi!...
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28/08/2010
Nunca fomos tão felizesAlunos convictos, porque bem pagos, com o nosso imposto exorbitante, algumas publicações “vira-fôlhas”, esmeram-se, inutilmente esperamos, em pintar de côres ufano-nazistas, à moda Hitler e Goebbels, que conseguiram levar o povo alemão no bico com a repetitividade falaz, o que ainda resta do verde-amarelo tupiniquim, com evidentes intenções eleitoreiras, massificadoras da ignorância analfabeto-bolsista de mais de vinte milhões de ludibriados brasileiros.
Mas, com alguma boa vontade, ver-se-á na manchete de capa da “Isto É”da semana passada, uma grande dose de verdade, malgrado não seja essa a intenção do patronato.
Diz a manchete: NUNCA FOMOS TÃO FELIZES, certamente aludindo a uma felicidade hipotética, ou vivida por alguns privilegiados que podem, como diz o texto menor, comprar casa nova, viajar pelo exterior (no país é mais caro ), trocar de carro anualmente, comer muito bem, ter saúde, frequentar os spa da vida, colocar silicone na bunda e na cara, estudar em bons colégios, e por aí afora.
Mas o povo, o populacho, esse contingente de mais de setenta por cento que vive a miséria cotidiana de um sálario de fome, que coloca no pedestal esses mimetistas de ideologia botequineira, também pode se incluir na manchete intencionalmente contrária e até cruel, da seguinte maneira:
é verdade, NUNCA FOMOS TÃO FELIZES, como no tempo em que o salário mínimo getulista dava para sustentar, de forma digna, uma famiília trabalhadora de cinco pessoas; como no tempo em que o ensino público era referência de melhor qualidade ( vide o Liceu Maranhense do nossos tempos!);
como no tempo em que propaganda era “reclame”, e coisa de quitanda, sabonete, mercearia, óleo de peroba, azeite marca Galo, melhoral, cafiaspirina e não artimanha de govêrno para ludibrio da população e biombo de mensaleiros, aloprados e gente dessa inqualificação;
no tempo em que as casais passeavam na praças, de mãos dadas, sem medo de estupro, assalto e outras coisas infelizmente comuns, porque deram cartão vermelho para a segurança, ao desarmarem o trabalhador e armarem a bandidagem;
no tempo em que as estradas eram cuidadas para o escoamento do progresso, e nunca para efígie da morte ou para roteirizar a desgraça do tráfico compadresco;
no tempo em que os programas sociais não exigiam, como moeda de troca, a virgindade das adolescentes, crianças sem expectativas, ou famílias desestruturadas por essa obritatoriedade faminta;
no tempo em que São Luis era Atenas Brasileira e não Jamaica;
no tempo em que craque era jogador de futebol e não mercadoria de desgraça nas mãos da juventude bolsista; no tempo em que o aumento do funcionalismo público não era acorrentado por um decênio;
no tempo em que “falar como um deputado” era sinônimo de correção verbal;
no tempo em que muitos políticos ainda eram patriotas e não “pratiotas”; no tempo em que os pais sustentavam os filhos e nunca o inverso bolsista;
no tempo em que a esmola recebida nunca partia do recebedor ( destino dos nossos impostos );
no tempo em que o salário era fruto do suor da verticalidade e não da alcovice horizontal incentivada;
no tempo do bom tempo para todos.
NUNCA FOMOS TÃO FELIZES... (quem?...)
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21/08/2010
A pluralidade parlapatista e os briochesO parlapatismo ideológico, os constantes escorregões gramático-verbais e o apêgo ao passado dos outros como forma de exacerbação própria, têm demonstrado que o quelonismo petista vai suar em bicas para colocar uma carapaça aceitável em sua pretensa “mãe do povo” (cópia pouco recomendável daquela portenha platinada.)
Além do mais, quem assim a denomina, como apelação populista, é o mesmo que se rotula “ pai do povo”. Como nenhum dos dois tem registro cartorial, os “filhos”, estupefatos, já os rotularam, apropriadamente, de “padrasto” e “madrasta”.
Ouviu-se recentemente, em programa político gratuito, a voz da futura “mamãe”, segundo seus acompanhantes, dizer em off que “ninguém pode realizar nada sem que “ela” tenha paixão...” Barbárie contra a gramática, ou verdadeira “ingraticamalidade”, como dizia Eça de Queiróz! “Ninguém”, é pronome indefinido, e essa história de “ninguém ela” só na obtusidade desses redatores políticos pagos com o nosso, enquanto Bráz é tesoureiro.
Em recente debate transmitido, via internet, entre a “Mamma”, Serra e Marina, a insistencia da petista em referir-se ao passado (dos outros, que o seu poderia provocar “abortos”) proporcionou, no tucano, um comentário ou recomendação de cáustica, porém real ironia.
Disse ele: “Dilma, o seu retrovisor é maior que seu para-brisa”, o que, trocando em miúdos, significa claramente: “olhe para a frente; deixe o passado dos outros em paz”! Uma surra ou um severo puxão de orelhas (coisas proibidas pela sabedoria “paterna” oficial) não teriam efeito tão devastador, embora saibamos que, em certas áreas, conteúdo é artigo raro ou extinto.
Como se vê, caso se cumpra – o que não merecemos – esse vaticínio de Cassandra, os “menas verdade” continuarão a vergastar ouvidos, pelo menos os mobralinos alfabetizados, e daí em diante, nos sibilantes improvisos das quarentenas de milhões e milhões de “filhos” involuntários.
E o “pai” que, segundo o Folha de São Paulo, pretende ser, no futuro, “mãe carinhosa”, teria oportunidade de cometer o primeiro “hermafroditismo político”, desde os remotos de Zeus e Afrodite, até nossa atualidade, o que, sem dúvida, serviria para massagear sua indescritível e megalômana egolatria.
Evoé!...
Já o demonstrado apêgo ao passado alheio poderia (Deus que nos livre!) sacudir do mausoléu lisboeta o descobridor Pedro Álvares Cabral, para ocupar o Ministério dos Transportes, ou Maria Antonieta, da côrte palaciana francesa, para titularizar o da Assistência Social e de Renda, comandando a distribuição de bolsas-miséria e brioches ao povo.
Seria, sem dúvida, uma festa! Mas o “papai” não iria gostar: é que teria de dar volta ao mundo, em suas intermináveis andanças, num prosaico e enferrujado teco-teco!
Talvez até no 14-Bis, pilotado por Santos Dumont!...É o “cara”!...
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20/08/2010
Bolsa Família: a verdade nua e cruaAntigamente, quando as “moças de família”, principalmente as de famílias mais pobres, “perdiam o cabaço”, para quem não sabe, perdiam a vigindade (naquele tempo existia) iludidas pela lábia do conquistador, eram colocadas no olho na rua pelos pais, submetidas, não raro, a surras homéricas e alvo da chacota de todos.
Sem perspectiva nenhuma, eram, geralmente, vítimas das donas de prostíbulos, engrossando o comércio de carne humana em troca de casa e comida, pelo menos durante os anos de seu viço corporal, após o que passavam a esmolar na indigência, geralmente tuberculosas, caminhando, tristemente, para um trágico fim, “pedindo esmola àquela mesma gente/que dos seus beijos se fartara outrora”, como disse no sonêto “Verso e reverso” o poeta e padre cearense Antonio Tomás.
Agora, desta vez com apoio, ideário e publicidade oficiais, surgem, nos mesmos moldes, o tal “Bolsa família”, e o tal “Auxílio natalidade”, programas sociais, onde, como agiam antigas “madames”, as jovens mal saídas da infância, portanto pré-adolescentes e menores, têm que se prostituir, e, o que é pior, conceber para receberem as míseras moedas de troca da miséria-família, sustento seu e dos rebentos.
É o pirão pela dignidade!
O aviltamento da vida no seu paroxismo inimaginável! Pior de tudo, é que as prostitutas de cabaré eram pagas com o dinheiro dos clientes, enquanto as bolsistas oficiais recebem, como chachê da desgraça, o seu próprio dinheiro, porque provém de impostos, impostos a todos(as).
É o “chêcho” institucional! Chegamos ao fundo da excrescência humana! E tudo isso é tido e havido, pelo menos por seus mentores emplumados, em cadeiras estofadas e no ar refrigerado, como distribuição de renda. Até como piada, soa sem a menor graça. Ou será que, sinceramente, tais desumanos não têm amor pelos seus filhos? Ou os acham acima do bem e do mal? Ou será que a mentira, que lhes é essência, fá-los ver a crueldade como desculpa para manutenção do poder? Ou que o povo é tão ou mais idiota do que pensam? Aliás, com todo o respeito que ainda me resta pelo povo, devo inclinar-me a creditar essa última hipótese. Pelo andar da carruagem, os glutões desse baquetes de carne e dignidade humanas ainda poderão se refastelar, até a desinteria, por algum tempo.
O teto do inferno é o chão, dizia, desgraçadamente premonitivo, Dante, na Divina Comédia. Pena que seja por cá!...
Hitler e sua corja, para sustento da loucura arianista, confinava judeus e desfetos em campos de concentração, obrigava-os a ouvirem, como um castigo, músicas marciais nazistas, e depois os assassinava, para repúdio da humanidade. Alguns, muitos alguns, são confinados à sua desgraça anunciada, e, note-se, não se trata de desafetos, mas de compatriotas, obrigados a perpetuar sua espécie em troca de morte lenta para sí e descendentes, obrigados a ver e escutar, em rádios e televisões, as modernas músicas marciais, a lenga-lenga dos pronunciamentos feitos ao arrepio de todos as correções - gramaticais e institucionais - e os abraços sorridentes entre os novos bárbaros, tiranos outrora combatidos, e hoje afagados “companheiros”.
E todo mundo de bico calado, espiando para tirar uma casquinha da aprovação paga com os impostos de todos nós.
E o povo? Ora o povo que se lasque! Que leve suas filhas para fornicarem à beira da estrada, e receberem o “cheque visado” da miséria oficial, em troca da própria esperança, e em nome da mentira!
Quem os mandou nascerem pobres?.
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12/07/2010
A festa das capitanias cartoriaisSe tudo correr como pretendem os postulantes, nossa Assembléia Legislativa irá transformar-se em um Jardim de Infância, ou creche de abastados.
É de estarrecer o número de descendentes de atuais ou ex legisladores concorrendo a cargos políticos, numa parafernália de “filhos”, de “netos”, e, se duvidarem, de “bisnetos” em diante, verdadeira distribuição de “capitanias legislativas” para hereditarismo familiar.
É, o que é pior, de forma cartorial, como antigamente eram distribuidos de pais para filhos, de netos para bisnetos, os tabelionatos, fonte de renda perpétua, como ora são esses tão desejados, de gestores públicos.
A título de justificativa, os neófitos candidatos apregoam o germe da política, desde o espermatozóide dos genitores, ou óvulo das genitoras, inoculado em seus corpos e mentes, certamente norteadores das suas atitudes.
Como se sabe que muitos ancestrais foram impedidos por motivos algumas vezes pouco abonadores, é de presumir-se que essa precedência genealógica se irá perpetuar. Afinal de contas, filho de peixe, peixinho é. Daí...
Pela trote dos cavalos de carruagem, ninguém se espante se um desses implumes eleitos apresentar projeto no sentido de dimunuirem a idade para o ingresso nas Assembléia e Câmaras. É a modernidade das baladas políticas! Quem sabe dos “rachas” legislativos!
Mas, mesmo assim, algum ou alguns, ainda insatisfeitos, proporão, para garantia da espécie na infância, o regime de regência, como Dom Pedro I instaurou para Pedro II (perdão, imperador, que o senhor, ao lado de Jescelino, foi um dos brasileiros mais importantes deste país, desde Cabral).
Embora pareça utopia ou piada, sem dúvida que será possível (tudo neste país é!) e terá plena aprovação dos pares. O que não se aprova mesmo são projetos como os do deputado Aleluia, que prevê perda de mandato para o parlamentar que não cumprir promessas de campanha.
Tudo o que cheira, mesmo fantasiosamente, ao exercício da correção na coisa política neste país, é visto com risos de troça. O que pode mesmo é a instutucionalização da mentira, da farsa, da miséria via projetos pagos por nós, do salvo conduto antecipado para pulitricas, e por aí vai.
E o povo? Ora, o povo vem do espermatozóide do agachamento, da escravidão branca, negra, azul, cor de rosa e até multicolorida. E, assim sendo, apenas cumprirá seu papel de perpetuação da própria e omissiva desgraça. O resto é conversa fiada!
Agora, o projeto das regencias poderá até sofrer restrições no setor financeiro das Casas Legislativas: é que os bebês usam fraldas, e estas são mais caras que papel higiênico!
O que não deixa de ser uma esperança!...
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